Vim pra cá pra esse sotaozinho pra começar tudo de novo. Eu não sabia que ele tava na casa. Já havia uns seis ou sete anos que a gente não se esbarrava.
Que soube nas comemorações familiares, era que não passava bem, pelo fracasso de planos, mulheres malucas, tombos de moto .
Eu e Rudah sempre, sempre trepamos. Desde de meus treze, ou catorze não lembro ao certo. Ele era amigo de infância de minha mãe. Tinha nele um tesão esquisito. Não por culpa, como alguma Católica Apostólica Romana, não por isso. Na casa da minha mãe tinha um quadro cheio de fotos, dentre essas uma boa, eu e ele, devia de ter cinco ou seis anos, ele já era moço. Estávamos em casa no carnaval tava vestida de cigana sentada no colo dele rindo, e ele a pandeirola que havia feito pra eu usar como adereço da fantasia.
Todos que entravam na casa perguntam sobre essa foto. - Quem é ele?
Pelo sorriso enorme, besta e encantador do auge dos seu dezesseis anos. E já era um grande artista. Fotografava muito bem e tudo sempre com uma sensualidade enorme.
Meu padrinho, Rudah. Sem vínculos maiores de sangue, homem branco, de olheiras profundas, dependente químico, morador do resto da casa da Gamboa ( e do resto da Gamboa também), onde por algum acaso me mudei pro sótão.
Ele tinha casado, separado. Já e eu não tinha nem me formado ainda.
E carregava igual a ele uma crise de uma nova revolução que eu não sabia pra aonde descambará, se pra total lucidez e clareza dos fatos ou se para total falta de discernimento sobre laços afetivos férteis do espaço de convívio.
Bem, a segunda opção para todas as crises de maturidade pra mim é boa. Estávamos todos carentes. O mundo todo. Eu não ia parar muito pra pensar sobre a distancia que eu tinha que tomar dele em casa pelos seus problemas.
Aliás gostava de estar por perto de homens esquisitos em crise. De repente tava tudo místico mesmo. De novo.
Eu tinha que estar lá naquele espaçozinho de quina de parede sentada na cadeira de balanço, sendo lambida pelo homem primeiro de um desejo, sempre, sempre rebelde. Ah sua moto, as caras de drogado na volta pra casa, ás noivas que ele enrrolava.
Metido, gostoso, viciado, afeminado.
Tudo que me vislumbrou. E me afastou da imagem do merda do meu pai, referencia masculina sexual apostólica romana, autoritária.
Á uns anos atrás fiquei uns dias exilada de casa no seu antigo abrigo na primeira crise que me deu na puberdade.
E tava ele lá me comendo a semana toda. Da primeira vez que ele entrou em mim já estava lá há muito tempo.
Vivemos dias de muita arte naquela casa. Nunca tive medo nunca teve drama.
Se nas festas de família ele fazia aquela pergunta sem graça, de seu eu havia dormido com ele, eu respondia que sim. E tenho certeza antes de me comer de fato, foram as bocas e caras que eu fiz diante dessa pergunta tão libertina, que o deixaram com tesão para que o fizesse.
Cheguei tirei as coisas da mala pus no chão, ele apareceu perguntou se eu queria ajuda, ficou me olhando um pouco, perguntou do meu pai. Eu perguntei da moto. Ele me disse que havia vendido.
Foi pro seu quarto trouxe fumo e uma bebida pra mim.
Naquela hora eu achei mesmo que aquelas coisas que eu pensava sobre o futuro da gente se concluía sem pé nem cabeça na nossa fossa.
A gente ia viver em paz por mais que estivéssemos em momentos delicados.
Em paz assim né, eu vou pra faculdade volto a gente transa, e eu vou pro meu quarto, choro um pouco mais de dor das minhas demências. Ele vai pro laboratório se mata de ver fotos da vadia da sua ex esposa e das suas coisas bonitas. Pega a câmera volta me come mais fotografa e volta a chora na sua caverna.
Viu desde o instante que entrei naquela casa comecei com aqueles planos que só eu tenho de vida.
Romance! Casar com duas pessoas, ter sete filhos. Dois homens ou duas mulheres, ou um homem e uma mulher. Ou o Tio.
Não disfarcei né acho que ele percebeu na hora que eu perguntei da moto.
Doente, virou mexeu, eu quero que minha vida caia numa dessas ciladas sem graça daquelas que se tua avó sabe nem ela te aceita.
Bicho ,me olhou com aquela cara pra responder sobre a moto. Safado.
Falou que tinha umas coisas no corredor que podia por no meu quarto.
A cadeira de balanço, que realmente havia sido da minha avó.
Agora parou e ficou na porta do meu novo lar, sem mover uma palha pra me ajudar com a cadeira, sem falar nada.
Me pos sentada na cadeira, tirou minha calça e me lambeu. E chupou. E fez tudo de forma tão bizarra pela falta de comunicação que achei que tava possuído por alguma entidade daquelas que ás vezes atacava á mim também.
Tinha um que de pássaro, Rudah me chupava lambia como se quizesse um néctar uma coisas que sugava, sugava que buscava e não encontrava, e ficou me torturando por algumas horas com aquela fome sabe se lá ,pagão, do que!
E eu não queria entender nada, o tempo que transcorreu até ali não fazia diferença nenhuma não me mostrava como fui parar naquela cadeira que tocava Roberto Carlos como seu fosse a moça do Baile, que não parava de tremer, e se tremia toda com a buceta encaixada na boca de quem só queria minha juventude. Pra ver se jovem voltava a ser também.
Salve, titio sempre jovem e barulhento.
Sugava em busca desse mel que nunca mais foi tão doce depois que ele foi embora. Nunca mais tinha transpirado de mim.
Meu beija-flor.
Daqui pra dentro da casa meu Conto de Fadas da Cabeça Puta, que eu tinha com seis, sete anos, vai de encontro ao laboratório enquanto revelávamos fotos do meu aniversário.
Agora nessa cadeirinha nesse canto bobo de parede azul. Como criança no colo, trepar como na árvore, no balanço, na geladeira.
Me renovando em moça, moradora do sótão, com sonhos de jovem lunática amadora dando certo.
