A anos não tínhamos contato e agora eu estava deitado na sua sala fingindo que durmia, enquanto ela passava o bico dos seios na minha boca.
Cami sempre foi assim, dizia sempre, quando éramos mais jovens, que gostava muito de mim e queria ter filhos meus, e que iria mais ou menos dia conseguir, e eu nem iria perceber. Tremia de medo daquela menina, e por amizade me afastei.
Não sei como as mulheres fazem essas coisas, mas ás vezes, durmindo, acordava no meio da noite, como se ela estivesse me chamando. E a casa ficava toda revirada como se um furacão tivesse passado por meu quarto.
Pode ser que essas coisas fizessem até mesmo da minha imaginação. Porque ás vezes bêbada, pra me torturar, ela dizia que se masturbava pensando em mim, porque sentia "Febres de Amor".
Que garota brega. Que falta de coragem minha.
Depois desse longo pensamento, com os botões do meu Paraíso cor de vinho na boca, abri os olhos, e ela tomou um susto.
Ela estava sentada ali á alguns minutos naquele ritual ninfético, já tinha mais de trinta anos, e continuava como Lola. Sentada ao meu lado, fazendo as mais estúpidas juras de gozos,amores, todos meus, todos pra mim. E ás vezes me prometia até seu pensamento, com voz de choro, de quem logo seria infiel, e era isso que me incêndiava.
Como pode depois de tanto tempo ainda se queimar de paixão assim.
E eu?
Aquele corpo tão pequeno, plainando no meu corpo como pétala, num cair lento...Até que eu abri minha boca e estalei meus lábios no bico do seu peito! Que se arrepiou todo. Todos aqueles pelinhos curtinhos, que eu nunca tinha me esquecido, fazendo um veludo sobre a minha boca. O céu.
A cara dela de boca fechada, com os ocúlos embassados, com cara de quem ia cusir o mundo. E apertando o meu, porque nessa hora seu corpo deixou de ser leve, havia caído em mim, no meu corpo deitado ( com aquele tesão de anos...)
Ficou parada e eu dei outro beijo no seu colo, passei a mão pela sua cintura e à beijei. A ninfa havia me levado para o onírico. E eu já estava com outro olhar. E meu corpo saltava para o seu com saudade dela, com certeza, mais tambám com uma saudade dos meus vinte e poucos anos, uma saudade de mim.
Era uma sede, uma entrega, eu senti a tal febre que julgava tão insuportável, álias, por isso abri os olhos. Não era a primeira vez que ela me ninava com juras de amor. E eu sempre fingia que durmia. Mas agora já é uma bela tortura.
Sua boca ficou ali parada como se fosse uma estátua. Mas acho que teve uma espécie de choque. Acho que não acreditou na minha surpresa. Sempre sai fora dela, não conseguia acreditar no que ela dizia, e eu também era mais homem do que Amor naquele tempo.
Mas quando vi sua atitude de tarada naquela sala, vi que sempre disserá verdade.
E senti tanto esse amor que um dia, após tantas estradas, seu amor me invadiu e não me dando tempo de apertar o botão do temor.
